2005-06-23

King James' Bible

Ando a ler a Bíblia, a versão de King James, a qual parece ter sido a versão standard na Europa, ao longo de mais de 300 anos.

Engraçado, tenho-a há uma dezena de anos quando uma professora, que alinhava pelas suas praxes muito próprias, me obrigou a comprá-la. Não gostava dela, nunca lhe perdoarei a arrogância e o desprezo com que me tratou, a mim, um génio.

Talvez por isso só a comecei a ler o ano passado, aos poucos, sem pressas. Tem muitas páginas, novecentas e tal, as folhas são daquelas finas, tem partes muito aborrecidas e muito gagas.

Também tem daqueles episódios que todos conhecemos, aqueles que ao longo dos tempos cresceram mais que o mundo, como aquele da baleia ou a história dos dois irmãos do Egipto e das águas que se abrem, e Noé, e o resto.

Alguns são cruéis e reveladores, plenos de múltiplos sentidos dizem, mas o que me choca, e já li muita coisa na vida, é a ligeireza incrível com que nos são relatados, por vezes em não mais de dois versículos, tipo Deus acordou para implicar e pronto, e a relevância que adquiriram na nossa cultura judaico-cristã.

Não que isso me preocupe , aprendi a viver com os meus fantasmas, religiosos e outros. E a verdade é que ainda me passeio pelo Velho Testamento e por lá andarei mais uns tempos, ao ritmo a que folheio as folhas.

Enfim, não sei, ando a ler, não li.

4 Comments:

Anonymous Marina said...

A leitura da Bíblia lembra-me sempre uma disputa pouco agradável, com o meu companheiro na altura, ex-marido-to-be agora, precisamente sobre o espanto ingénuo e a minha revolta ao comprovar, preto no branco, como alguns disparates que moldaram as consciências humanas ao longo destes dois milénios, nasceram ali - e não passei dos primeiros versículos do Génesis - naquele livrinho que ninguém sabe muito bem quem escreveu. A disputa pouco importa, o riso irónico que recebi acertou na raiva interior que apenas uma mulher facilmente compreenderá. Mais preponderância tem, porém, a incompreensão de como aquelas frases enigmáticas, ás vezes sem nexo nenhum, adquiriram tal poder e supremacia sobre a inteligência natural de cada um.

10:54 da manhã  
Blogger guardador_de_rebanhos said...

Pois é Marina. A mais engraçada relativamente à Bíblia vi-a no início do filme "Snatch" onde alguém discutia a dúbia tradução da palavra hebraica "virgem" a qual poderá também ter o significado de "jovem mulher".
Embora fosse apresentado como um pormenor rizível no contexto do filme, pk não poderá ser verdade?
E se o for quantos séculos de sexualidade reprimida devido a essa possivelmente incorrecta tradução.

3:45 da tarde  
Anonymous Nina said...

Maia vale tarde que nunca, a repressão recua... (por mim, eu não perdi tempo, pensei pela minha cabeça e fiz o que o corpo pedia, a minha biblia é a minha consciência)

Mas a propósito, quantas mais traduções incorrectas... ou ao jeito de quem serviam...?

12:31 da manhã  
Blogger guardador_de_rebanhos said...

Muitos dos dogmas que hoje minam as Igrejas, foram criados algures nos primeiros séculos do milénio passado, através de corrupções linguísticas, deliberadas ou não. Para quem ainda não leu (será possível?) aconselho a leitura do "O Código Da Vinci".
Porque já o poeta dizia - "Porque é que a verdade deles será maior que a minha?" - o que, diga-se em abono da verdade, funciona nos dois sentidos.

10:20 da manhã  

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